Em abril, as vendas no comércio varejista brasileiro cresceram bem mais do que o esperado e, mesmo com as restrições impostas pelo coronavírus, tiveram a maior alta em 21 anos, voltando a ficar acima do nível pré-pandemia.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que no quarto mês do ano, as vendas no varejo apresentaram alta de 1,8% na comparação com o mês anterior, depois de queda de 1,1% em março, registrando o maior ganho para o mês desde 2000.  Com este resultado, o setor passou a ficar 0,9% acima do patamar pré-pandemia, depois de ter ido abaixo dele em março.

“De dezembro para cá o movimento foi instável e claudicante, ora sobe, ora desce. Há uma volatilidade grande e o movimento de reação é heterogêneo”, explicou o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. Em comparação com abril de 2020, houve alta de 23,8% nas vendas, contra expectativa de 19,8%, em dado inflado pela base baixa de comparação a 2020, por conta do isolamento / distanciamento social imposto.

De acordo com o IBGE, das oito atividades pesquisadas, sete tiveram resultado positivo em abril, sendo a maior alta nas vendas de Móveis e eletrodomésticos, de 24,8%, seguida por Tecidos, vestuários e calçados, de 13,8%. O único resultado negativo foi em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, cujas vendas apresentaram queda de 1,7% no mês. Esse setor representa quase metade do volume de vendas pesquisado, segundo o IBGE.

Cristiano Santos afirma que houve muitas inversões entre as atividades em abril. “Algumas atividades que estavam indo bem começaram a cair e outras que estavam caindo começaram a crescer. Abril foi um momento em que as grandes lojas de móveis e eletrodomésticos acabaram focando na receita de consumo das famílias”, disse ele.

No comércio varejista ampliado, que são os grupos de atividades que compõem o varejo e mais os segmentos de veículos, motocicletas, partes e peças (20,3%) e de material de construção (10,4%), teve aumento de 3,8% no volume de vendas.

Santos ainda explicou que “O que observamos é que está aumentando a volatilidade mês a mês. Se olharmos os últimos índices, veremos que o comércio está tendo movimentos de mais ganhos e mais perdas. Um mês acaba rebatendo o outro, porque em um mês teve uma receita maior e no outro teve uma receita menor”.

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