CPMF sobre operações digitais.

A eventual criação de um novo imposto dentro da Reforma Tributária gera debates.

Por um lado a criação do novo imposto pode encarecer o e-commerce. Porém, há quem diga que esse é um caminho para a geração de emprego.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defende que a criação de um imposto sobre compras digitais serviria para compensar o desencargo da folha salarial, vista como ponto crucial para a criação de emprego.

Felipe Morais, sócio-diretor da FM Consultoria e especialista com planejamento digital, disse: “O impacto no preço final nas operações de e-commerce será muito baixo se comparado ao benefício que trará para as contas públicas”. Defendendo a criação do novo imposto.

Felipe Morais explica que o tíquete médio das compras online é de R$ 435. Se validado o imposto de 0,2%, teria um custo adicional por volta de noventa centavos no valor final. Morais pontua que os maiores vendedores através do e-commerce hoje são os cosméticos. “Nesse caso, o impacto seria ainda menor, já que o tíquete médio não chega a R$ 100”, segundo Morais.

Daniela Casabona, sócia-diretora da FB Wealth, vê os impostos taxados sobre transações digitais como algo ruim para a população, Mesmo sendo baixo, diz, implica em mais um custo, ainda que seja para balancear as contas pós-pandemia.

Ela também ressalta os efeitos sobre as operações financeiras. “Para os bancos digitais, que tinham a vantagem de não cobrar nenhum tipo de transação, isso pode tirar um pouco de sua competitiva. Uma vez que todos os bancos adotarão a tributação, não haverá muita saída”.

Para o professor de economia Faculdade Armando Alvares Penteado (Faap), Eduardo Mekitarian, trata-se de mais um imposto com função arrecadatória, que terá poucos benefícios para a criação de emprego. Ele defende que a tendência é que esse tipo de arrecadação fique volumosa na medida em que as operações digitais aumentem – uma consequência da própria conjuntura econômica. “Quando isso ocorre, a destinação dos recursos desperta uma ânsia extraordinária, mas a alocação é sempre feita de forma ineficiente.”

Para o professor, a desoneração da folha de pagamento permitira a contratação por um menor custo. “Por outro lado, se a recuperação tardar, esses recursos serão desvirtuados, a exemplo do que ocorreu no passado.”

Os comentários estão encerrados.

Dúvidas? Confira nosso FAQ